terça-feira, 15 de Junho de 2010

Consciência Linguística

Antes de falar a criança compreende a palavra que lhe é dirigida e aquela que é dita à sua volta e mais ainda se se trata de si própria.

Desde o aparecimento da primeira palavra até à formulação de frases complexas, a criança percorre um caminho que cronologicamente corresponde à infância. Este é um percurso caracterizado por diferentes períodos de desenvolvimento.

As crianças usam estratégias para adquirir Linguagem:
  • Desenvolvimento fonológico
  • Desenvolvimento lexico-semântico
  • Desenvolvimento morfo-sintáctico


O trabalho de enriquecimento e de eliminação torna-se muito interessante, consistindo numa reorganização do material linguístico sob o ponto de vista fonético, morfológico, lexical e semântico

Desenvolvimento Fonológico:

O tratamento de informação também passa por várias etapas:
  • Recepção da mensagem
  • Recebe os sons da fala produzidos por outrem
  • Retém a representação sonora, por segundos, na memória de curto prazo
  • Procura e localiza o significado da sequência de sons (palavras) na memória de longo prazo
  • Organiza a representação sonora em frases ou constituintes de frases
  • Compreensão da mensagem
  • Combina as frases e obtém o significado do enunciado produzido
  • Esquece as cadeias de sons, as palavras e as frases, guardando somente o essencial da mensagem

Desenvolvimento Lexical e Semântico:

Aquisição de uma palavra é apenas o primeiro passo para uma longa série de tentativas e explorações lexico-semânticas.
->Papel da escola e do jardim de infância é fundamental para o enriquecimento linguístico.

Na aquisição de significado existem variais que influenciam:
  • Frequência de uso
  • Conhecimento do mundo
  • Desenvolvimento cognitivo prévio
  • Factores contextuais e comunicativos
  • Uso metafórico das palavras

Desenvolvimento Morfológico e Sintáctico:

Durante este processo a criança extrai as regras que existem no seu sistema linguístico e generaliza a flexão nominal e verbal. Existindo uma boas e más faltas:

  • Resultam da generalização excessiva das regras e da extensão abusiva das regras.
  • Resultam da combinação ao acaso ou de nenhuma tentativa de combinação


Reformulámos algumas fichas de leitura elaboradas no âmbito da U.C. Aquisição e Desenvolvimento da Linguagem, cujo tema é sobre a Consciência Linguística:

Acordo Ortográfico

Durante muito tempo, desde a Pré-História, que os homens tinham necessidade de escrever aquilo que queriam dizer. Assim, deixavam marcas da sua comunicação com pedras ou cortes de árvores. Assim, na passagem da pré-história para a história, nasceu a ortografia. Primeiro as pessoas grafavam os seus pensamentos, e depois produziam sons.

Com o passar dos anos, as línguas evoluem na componente oral, porque por vezes dizemos coisas que não escrevemos.

Em 1943, para se estabelecer uma diferença entre o que se escreve e o que se diz, houve a necessidade de unificar a grafia entre Portugal e Brasil. Desta forma, desapareceu a sílaba –ph de farmácia e o –ch de química.
No ano seguinte à implantação da Republica, o governo aplica uma ortografia fixa que até aí não existia.

É necessário existirem reformas ortográficas porque senão, com o passar dos anos, as pessoas começam a não gostar de escrever aquilo que dizem de forma diferente.
Este acordo está há 18 anos à espera de ser aprovado e irá mudar 1,6% do nosso alfabeto. O objectivo deste acordo é simplificar a ortografia para ficar semelhante com o modo como falamos.

Na nossa opinião, o acordo é bastante importante. Quando soubemos que iria haver este novo acordo ortográfico, ficámos um pouco receosas pois não estávamos bem informadas das alterações que este iria sofrer.
Também admitimos que nos primeiros tempos vai ser muito complicado utilizar as palavras que sofreram alteração e escrevê-las com a nova ortografia. Apesar de algumas palavras estarem mais parecidas com a componente oral, vai ser complicado, pois estamos habituadas a escrever da forma clássica. No entanto, daqui a quatro anos, que é o tempo que nos dão para pormos em prática estas novas palavras, penso que conseguirei habituar-me a esta nova ortografia.


Artigo sobre o Acordo Ortográfico na Revista Visão

Emergência da Literacia

Normalmente, antes de entrar no primeiro ciclo, a criança já tem um pequeno conhecimento sobre a linguagem escrita, dependendo da influência e a estimulação proporcionada pelo meio.

Assim, quando uma criança entra contacto com informações que têm a ver com a leitura e com a escrita, por exemplo verem os pais a ler, a criança começa a interiorizar a importância da linguagem escrita.

Antes de entrarem na escola e se confrontarem com o ensino da linguagem escrita, as crianças começam a perceber o relacionamento entre muitos suportes de escrita. Ao entrar na escola, a criança aumenta o seu desenvolvimento linguístico, pois está exposta a mais contextos, que aumentam o discurso escrito e oral e ampliam a criatividade e o seu sentido crítico.

Desta forma, a escola tem um papel essencial, deve estimular a criança a utilizar a língua da melhor forma, por exemplo quando esta ouve ou fala, escreve e lê.

Neste sentido, é importante que a criança perceba que o que se diz também se pode escrever.

A oralidade e a escrita desenvolvem-se na escola, pois a criança pode expressar-se e pode argumentar em diversos contextos. Deste modo, deve ensinar-se às crianças a necessidade de se usar uma linguagem simples e clara.

Quando ainda são criança pequenas, estas apreciam que os familiares lhes contem histórias. Estas acções têm influência na qualidade do discurso e na qualidade da leitura

Desta forma, as sessões de leitura em voz alta promovem uma ocasião para a interacção dos adultos com a criança.

Deste modo, os adultos contribuem para o desenvolvimento da linguagem quando parafraseiam o que a criança diz, falam acerca dos interesses da criança, permanecem em silêncio o tempo suficiente, para dar à criança uma oportunidade para responder, colocam questões específicas, colocam questões abertas e desafiantes (em vez de questões cuja resposta seja um simples sim ou não), acrescentam informação às respostas da criança, corrigem as respostas erradas, apresentam alternativas possíveis, encorajam a criança a contar histórias e dão elogios.

Estas atitudes trazem benefícios, pois aumentam o vocabulário e as competências de linguagem expressiva e de pré-literacia.

Quanto às Concepções das crianças acerca dos aspectos da linguagem escrita
As crianças pensam que a linguagem escrita é uma maneira de se inserirem na sociedade, pois a nossa sociedade está cada vez mais centrada na escrita.

No entanto, algumas crianças pensam que aprender a ler e a escrever é simplesmente um modo de diversão e de comunicação e de se integrarem no “mundo dos adultos”.
Existem outras que pensam que aprender a ler e a escrever, serve simplesmente para se integrarem na instituição escolar e convirem às expectativas tanto dos pais e professores.

As crianças nem sempre percebem que a linguagem escrita representa a linguagem oral. Contudo, quando entendem esse aspecto, só algum tempo mais tarde é que percebem que as palavras da oralidade estão representadas no alfabeto da escrita.

Assim, existem três fases de aprendizagem da Linguagem Escrita: a fase cognitiva, a fase de domínio e a fase de automatização.

A Fase Cognitiva caracteriza-se pela execução de uma representação sobre o propósito de uma tarefa e pela estruturação de uma ideia global sobre a sua essência e sobre as condições necessárias para a conseguir efectuar.

A Fase de Domínio descreve o treino e o aperfeiçoamento que a criança deve fazer para melhorar a realização de uma tarefa, neste caso a tarefa escrita.

A Fase de Automatização é quando as crianças já têm autonomia e conseguem realizar
uma tarefa inconscientemente, pois já adquiriu a aprendizagem de uma certa tarefa.

As crianças adoptam vários métodos de leitura. Alguns desses métodos são a observação e comentário das imagens dos livros, através das imagens de um livro, constrói uma história, fingem que estão a ler uma história, mas na realidade estão a inventar uma, entre outros métodos.

Relativamente às formas de escrita que as crianças adoptam são a utilização de desenhos, fingindo que está a escrever, usa símbolos parecidos com as letras; tentam copiar palavras, entre outros.

Falando um pouco mais da Consciência Fonológica...

Aprender a ler e a escrever não é um processo natural como o de aquisição da linguagem, ou seja, aprender a falar. É necessário promover a reflexão sobre oralidade, saber que a língua é constituída pelos sons da fala. Existe uma grande dificuldade em fazer corresponder um som da fala a um grafema.

A aprendizagem do código alfabético apela à competência cognitiva que a maioria das crianças não possui à entrada na escola, a capacidade de identificar e de isolar conscientemente os sons da fala. Aprender um código alfabético envolve obrigatoriamente a transferência de unidades do oral para a escrita, logo a escola deve promover o desenvolvimento da consciência fonológica. Através de treino, capacidade de identificar e manipular as unidades do oral.

O sucesso na aprendizagem da leitura e da escrita está correlacionado com os desempenhos do sujeito na oralidade.

Essencial promover o desenvolvimento de competências no domínio da oralidade em contexto escolar, pois quanto mais consciência fonológica as crianças tiverem mais facilmente aprendem a ler de forma consciencializada.

Para isso, apresentamos as três actividades abaixo descritas, actividades essas que foram elaboradas tendo em vista o desenvolvimento da consciência fonológica.

Duas das actividades destinam-se alunos do 1º Ciclo do Ensino Básico e uma e uma outra a crianças do pré-escolar. As actividades passam pela segmentação silábica, pelo estabelecimento de relações de semelhança e diferença entre sons, identificação de rimas, distinção entre palavras curtas, longas, com base no número de sílabas e ainda na distinção entre a forma e o significado da palavra.

Como base de apoio para a realização das actividades tivemos a brochura de Mª João Freitas – O conhecimento da Língua: desenvolver a consciência fonológica.

Realizámos mais 3 actividades para a consciência Fonológica

Actividade 1

Actividade 2

Actividade 3

segunda-feira, 14 de Junho de 2010

Conhecimento da Língua Portuguesa: Competências Essenciais

Domínio oral: A Compreensão e a Expressão Orais

O Homem recebe, transforma e transmite informação, através da linguagem.
A compreensão e a produção do oral são duas componentes implicadas no processamento da informação verbal.

É importante trabalhar a compreensão do oral pois esta componente resume-se à recepção e decifração da cadeia de sons e respectiva interpretação. Assim como, é fundamental trabalhar a produção oral uma vez que esta componente consiste na estruturação da mensagem, formatada de acordo com as regras de um determinado sistema.

Apresentamos três actividades que vão da compreensão do oral á expressão do oral, que têm como objectivo levar as crianças a ouvir e a perceber o que se diz e levar as crianças a produzir oralmente. Duas das actividades remontam para a compreensão do oral em pré-escolar e 1º ciclo. E a terceira actividade será uma proposta para a expressão do oral e destina-se a alunos do 1º ciclo.

Actividades de compreensão do oral em pré-escolar e 1º ciclo:




Actividade de expressão do oral e destina-se a alunos do 1º ciclo:




Domínio Escrito: A compreensão e a Expressão Escritas

"A capacidade de produzir textos escritos constitui hoje uma exigência generalizada da vida em sociedade. Longe de ter caminhado no sentido de pedir apenas a alguns a tarefa de produção textual, a sociedade contemporânea reforça cada vez mais a necessidade de os seus membros demonstrarem capacidade de escrita, segundo um leque alargado de géneros.

A escola deve tornar os alunos capazes de criar documento que lhe dêem acesso às múltiplas funções que a escrita desempenha na nossa sociedade."
in “O Ensino da escrita: A Dimensão Textual” de Luís Filipe Barbeiro e Luísa Alvares Pereira

A escrita é um processo complexo e é o ultimo a ser adquirido pela criança. No entanto, a maior parte das crianças ainda não sabe ler, mas já sabe que existe uma relação entre a expressão escrita e a expressão oral.

É importante salientar que, as crianças ao serem estimuladas relativamente à expressão oral e à expressão fonológica, acabam por ficar mais aptas para iniciarem a expressão escrita. O contacto com o texto escrito bem como o reconhecimento de diferentes letras e a identificação, possibilita uma apropriação do código escrito. O livro constitui um instrumento indispensável para promover o contacto com a escrita. Este pode também ser potenciador de aquisição de hábitos de leitura.

Devemos ainda referir que cada criança apresenta o seu nível de desenvolvimento e que cabe ao professor ou ao educador acompanhar as necessidades de cada uma.

Para escrever é essencial dominar as características gráficas do sistema, são elas as intrínsecas e as extrínsecas. São estas características que conferem legibilidade a um texto escrito.

Para desenvolver estas características propomos duas actividades, uma de gestão do espaço de suporte da escrita e outra de conhecimento dos sinais de pontuação. A primeira para crianças do pré-escolar e a segunda destinada a alunos do 1.º ciclo.




Para o domínio escrito,também realizámos dois resumos de dois textos cedidos pela professora:

A formação para o ensino da leitura de Inês Sim-Sim

"Descobrir o princípio alfabético" de Ana Cristina Silva



Erros Ortográficos – Análise e Tipologias

"A análise das incorrecções ortográficas permite tomar consciência do tipo de dificuldades encontradas pelos alunos e delinear estratégias com vista à sua superação."
in "O Ensino da Escrita: Dimensões gráfica e ortográfica" de Adriana Baptista, Fernanda Leopoldina Viana e Luís Barbeiro

O erro deve ser sempre encarado numa perspectiva de construção, o professor deve estar atento às dificuldades e erros dos seus alunos e ajudá-los a compreender onde e porque é que errou.

Apresentamos de seguida, através da análise de textos escritos por crianças do 1ºCiclo do Ensino Básico, algumas das tipologias de erros que existem.


Módulo A - A Didáctica da Língua: Alguns Conceitos Básicos

Depois de concluirmos o primeiro dos três módulos da U.C, realizámos um resumo dos conteúdos abordados.


Aqui encontra-se o resumo dos conceitos básicos do primeiro módulo.







Realizámos também no âmbito do módulo A, mais precisamente do tema sobre a Competência Comunicativa uma pequena síntese do texto de Maria João Ferraz.

"Que competências deve a escola desenvolver e fazer adquirir?" - Síntese



A partir do tema sobre a linguagem e a aprendizagem elaboramos uma resposta à questão da proficiência da Língua Portuguesa com base no texto "A Formação em língua Portuguesa na dupla perspectiva do formando como utilizador e como futuro docente da Língua Materna", de Inês Duarte

Segundo Inês Duarte, o que significa "Ser um utilizador proficiente da Língua Portuguesa com vista ao seu desempenho como profissional competente nesta área?"

Um professor competente na área da Língua Portuguesa tem que dominar um conjunto de características fundamentais para desenvolver um bom trabalho. Assim, este deve ter conhecimentos sobre a Língua Portuguesa e ser capaz de se expressar oralmente em diversos contextos, deve saber ouvir de forma a recolher informação que lhe permita construir o seu próprio sentido crítico. Além disso, deve também saber escrever de forma clara e correcta.

É de referir ainda que o modo de utilização da linguagem por parte do Educador e do Professor, é basilar, uma vez que é uma pertença biológica, transmitida de geração em geração.

As crianças são expostas a estímulos verbais, que promovem o desenvolvimento linguístico.

Desta forma, o Educador e o Professor, deverão estimular a criança no que se refere às aprendizagens linguísticas.

O Regresso de Diversos Saberes - Unidade Curricular de Introdução à Didáctica do Português

Com o início de um novo semestre e consequentemente de uma nova Unidade Curricular (UC) de Língua Portuguesa, demos continuidade ao nosso blog que se iniciou no semestre passado com a UC de Língua Portuguesa e TIC.

“Diversos Saberes” regressou com novos trabalhos desenvolvidos no âmbito da UC de Introdução à Didáctica do Português (IDP).

Esta UC tem como objectivo, a aquisição de conhecimentos fundamentais na área de ensino da Língua Portuguesa, de modo a que possamos criar alicerces que nos permitam exercer com competência as nossas funções enquanto educadoras. O educador tem um papel preponderante na formação não só social e pessoal, bem como intelectual das crianças. O desenvolvimento de aspectos relacionados com a utilização da Língua constitui uma enorme importância na vida de qualquer ser humano. Desta forma, o educador tem que ser capaz de promover hábitos de literacia desenvolvendo nas crianças o gosto e interesse pela sua Língua, assim a UC de IDP marca um papel fundamental na nossa formação enquanto alunas da Licenciatura em Educação Básica (LEB).
No nosso blog poderão assim encontrar os trabalhos desenvolvidos pelo grupo no âmbito desta UC.

domingo, 17 de Janeiro de 2010

As TIC e a leitura


Wordle: Untitled



A aprendizagem do vocabulário da língua portuguesa deve ser prioritária dentro e fora da sala de aula e ao longo da vida.O enriquecimento vocabular pode trazer importantes contribuições para a mudança da expressão oral e escrita.
Entendemos que o conhecimento alargado do léxico da língua materna permite uma compreensão mais fácil dos textos e a sua leitura mais apelativa. O aluno vai construindo e reconstruindo o significado das palavras a partir das construções memorizadas e das relações que os vocábulos mantêm entre si. Neste sentido, a aprendizagem dos campos lexical e semântico é de grande importância no ensino da língua materna. Mas, os desafios que se colocam ao professor de língua materna são constantes e inúmeros.
O Wordle é uma ferramente útil para que o aluno se aproprie do campo lexical e semântico da sua língua materna. O Wordle permite criar nuvens de palavras com formatos e cores variados que ajudarão à sua memorização e partilha.
Ao nível da língua portuguesa o wordle possibilita o enriquecimento vocabular, campo lexical, campo semântico, ensino e aprendizagem do vocabulário.



Para a criação da nuvem de palavras apresentada acima utilizamos a fábula "A Raposa e o LObo".

A RAPOSA E O LOBO


A raposa e o lobo mataram dois carneiros e fugiram. Depois que se acharam seguros, deitaram-se a comer, mas só puderam comer um, e o outro ficou inteiro. Diz a raposa:

– Compadre, é melhor enterrarmos este carneiro e vimos cá amanhã Comê-lo juntos.

Vai o lobo e diz-lhe:

– Mas nem eu nem tu temos faro, como é que o havemos tomar a achar?

– Deixa-se-lhe o rabo de fora.

Assim se fez. No dia seguinte apresenta-se o lobo e diz:

– Comadre, vamos comer o carneiro?

– Hoje não posso; tenho de ir ser madrinha de um cachorrinho

O lobo fiou-se, mas a raposa foi ao lugar onde estava enterrado o carneiro e comeu um grande pedaço. No outro dia toma o lobo a perguntar-lhe:

– Que nome puseste ao teu afilhado?

– Comecei-te.

Exclama o lobo:

– Que nome! Vamos comer o carneiro?

– Ai, compadre (disse-lhe a raposa), hoje também não pode ser; estou convidada para ir ser madrinha.

O lobo fiou-se; a raposa tornou a ir comer sozinha. Ao outro dia vem o lobo:

– Que nome deste ao teu afilhado?

– Meei-te.

– Que nome! (replica o lobo). Vamos comer o carneiro?

A raposa tornou a escusar-se com outro baptizado, e foi acabar de comer o carneiro. O lobo vem:

– Como se chama o teu afilhado?

– Acabei-te.

– Vamos comer o carneiro?

Foram e chegaram ao sítio; assim que viram o rabo, disse a raposa:

– Puxa com força, compadre.

O lobo puxou, e caiu de pernas para o ar; a raposa safou-se.


(Airão)